Friday, November 17, 2006

a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida

Assisti Noites Brancas para ver a Maria Schell recomendada pelo Paulo.
Luchino Visconti, o diretor deste filme de 1957 inspirado na obra de Fiódor (com todo o respeito), retrata a vida dos sonhadores, pessoas que buscam a realização ao encontrar amores e que vivem a esperar.
Esperar? Como é?
Natalia (Maria Schell) espera pelo seu grande amor que partiu há um ano e disse que a encontraria em uma ponte próxima de sua casa. Mesmo após doze meses sem uma comunicação sequer, ela espera. Como acreditar neste encontro marcado por alguém que estava apenas de passagem por aquela cidade?
(Inevitável não ligar este tipo de encontro com o Antes do Amanhecer, de Richard Linklater. Entenda que este filme chegou antes para mim. É, chegou para mim mesmo. Os filmes que nos procuram e não o contrário, não é?)
Enquanto espera, Natalia conhece Mario (o figurão Marcelo Mastroianni), um solitário que logo se apaixona por ela. Natalia conta sua história para Mario, que espera que esta ilusão de Natalia acabe. Ela persiste e espera para não trair o seu grande amor.

Mas apesar da espera eles vivem e montam cenas inebriantes, como a hora em que eles dançam mesmo sem saber dar os passos certos, ou como logo que começa nevar e eles em uma espécie de gôndola próximos de uma ponte sorriem e celebram e quando Mario diz a frase matadora de Fiódor Mikhailovich Dostoiévski:
Um minuto inteiro de felicidade! Afinal, não basta isso para encher a vida inteira de um homem?
Porra, isso é foda!

E é legal como isso chega para mim. Esta semana procurava pelos trabalhos do Edward Hopper e o Hugo veio me falar do motivo do Bruno Medina escolher o nome da coluna e do blog dele, o Instante Anterior.

"Conversando com uma amiga cheguei a conclusão de que a vida é a eterna iminência de algo bacana. Quando o que você mais sonhava acontece inevitavelmente você sonha com a próxima conquista e isso nos mantém vivos. Já viu um quadro do Hopper? Ninguém nunca retratou a eminência com tanto brilhantismo. Os quadros deles são como acordes tensos que não encerram uma música, como uma sétima maior que prepara o próximo acorde. "Instante Anterior" é mais ou menos isso."
[bruno medina - Instante Anterior]

E cá estou eu, sob a mesma condição, distraindo a verdade, enganando o coração (thanx pato fu), esperando... Mas até quando esperar?
Faz exatos dois anos que voltei da minha última viagem pro exterior. Cada vez estou criando mais raizes nos lugares onde moro e eu não sei direito o que é isso porque sempre parto antes que comece a gostar de ser igual (mas esta canção do pato fu está deixando de fazer sentido para mim).

Looking back, foram dois anos bem intensos e bem vividos na medida do impossível. Digo até que foram bem melhores do que eu esperava, o que é uma surpresa para um cara que sempre quer demais e nunca sabe se merece (e estas frases são todas de canções que cabem tão bem dentro de mim que perguntar carece: "como não fui eu que fiz!?").
Não seria possível contar tudo o que penso em um post como este, ia precisar de muito mais tempo e eu já quero sair da frente do computador.

Mas eu fico muitíssimo feliz de ter bons amigos. E é o que mais pesa por aqui mesmo. No interior, especialmente aqui em Limeira, temos uma deficiência gigantesca em muitas áreas e eu não quero enumerá-las aqui, mas tenho amigos.
Velhos amigos, novos amigos, mas principalmente bons amigos.
Ao lado dos amigos eu não me importo de esperar.

E é isso. Mas hoje não vou sair para comemorar, que quero ver se fico uma semana sem tomar para perder um pouco a barriga. Domingo passado foi o último dia que bebi. Estou me superando. :o)

Aqui tem uma página com meus últimos dias de Londres e os primeiros dias de Limeira.

Comments:
Poucas pessoas há com a sensibilidade e coerência do Fábio. Eu não me lembro de ter assistido ao referido filme. Minha memória é péssima. Mas agora sinto-me impelido a revê-lo.
 
e estas frases são todas de canções que cabem tão bem dentro de mim que perguntar carece: "como não fui eu que fiz!?"

fabio, isso tem tudo a ver com um livro q eu estou lendo: Gaston Bachelard - A poética do espaço. Resumidamente tosco - como a maioria das coisas escritas na internet - ele fala q qdo estamos diante de imagens poéticas, ela ressoa no leitor, o leitor toma pra si aquilo e repercutindo e vem a questão "como não fui eu que fiz!?"
 
Tenho entrado aqui ultimamente e escrevo pra dizer que tenho gostado bastante!!!
e deixo uma sugestao musical: Psapp - é uma banda a là white stripes, não pelo som mas por ter apenas 2 integrantes, que faz músicas cheias de barulinhos interessantes - não sei se vc ja ouviu..
dps me diga o que achou!

beijo
 
eu não bebo mais pra morrer faz um grande tempo. Ultimamente, não consigo mais encher a cara. Logo fico abastecido o suficiente. Eu não quero levar minha vida em boteco, mas nem foi isso que me fez dar um tempo, porque foi o acaso que decidiu assim e acho muito legal que eu não tenha precisado escolher. Adoro não ter opção e ficar sem dúvida!
Adorei esse seu post! Vou reler...
um beijo,
luís.
 
e o título desse post foi tirado da minha camiseta.
;>)
 
:o)
 
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